segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

sexo aos 50, 60, 70 anos... sexualidade madura, ser sensual em plena maturidade...




À medida que crescemos, evoluímos e envelhecemos vamos perdendo alguns atributos inatos ao nosso corpo. Os bebês exercitam o que Freud chamava de autoerotismo e quando vão se tornando crianças vão sendo moldados, polidos, e os pais vão os deixando cheios de pudor: as brincadeiras de papai e mamãe, médico e enfermeira viram objetos de terror paternos.
Na adolescência, acontece algo semelhante: os hormônios vão invadindo o corpo e a necessidade por sexo torna-se latente. Mais uma vez, lá vêm os pais podando a sexualidade dos filhos e declarando certa reprovação social referente à masturbação e à sexualidade declarada desses jovens com tanto vigor e energia.
Moldamo-nos tanto a padrões sociais, posturas esperadas, comportamentos contidos que vamos reprimindo mais uma vez certas práticas que adquirimos na adolescência como beijar na boca e se abraçar na frente de todo mundo. O pudor e a reprovação social ultrapassam gerações: quando o casal se casa, já não se beija na boca tanto quanto na época do namoro e depois de alguns anos já não fazem mais tanto sexo quanto no início da paixão.
Muitas vezes a intimidade concretizada do casal os afasta sexualmente do desejo ardente um pelo outro e parece que a necessidade por sexo também se esvai à medida que a rotina e a idade vem chegando. Proporcionalmente pior se torna a relação de casais maduros e recheados de mágoas e desilusões.
Quando vamos envelhecendo nossa produção hormonal já não nos causa mais tanto desejo como quando tínhamos 15 anos de idade. Nossa resposta sexual e o desejo por sexo demoram mais a chegar. Adoecemos e vamos colecionando doenças crônicas: diabetes; esclerose; artrites; artroses e dores musculares que vão nos impedindo de exercer performances sexuais mais elaboradas. Os sentidos estão menos apurados: olfato; paladar; audição; tato e visão já não são mais os mesmos. A maturidade e o envelhecimento requerem adaptações que nunca são tão fáceis de ultrapassar. Contudo não podemos associar apenas a fatores hormonais e fisiológicos o fato de murcharmos nosso desejo sexual na maturidade e velhice. Desejo e sexualidade têm muito mais fatores emocionais e cognitivos do que hormonais e fisiológicos.
Além de cuidar da saúde física, amadurecer também precisa de cuidados psicológicos e se dar a oportunidade de se livrar de traumas, desilusões e angustias também faz parte essencial de uma boa vida sexual.
Como envelhecer de modo saudável numa sociedade que vem priorizando o novo, o efêmero? Como homens e mulheres vêm vivenciando o processo de envelhecimento depois dos 50? Como eles vivenciam as relações afetivo-sexuais?
Acima dos 50 se houve muitos relatos da perda da virilidade e desejo sexual que estão em grande medida associados não apenas à toda a enciclopédia vivencial de perdas e desilusões, mas à própria imagem corporal  e bem mais à discursos preconceituosos e encarnados de que cuidar da sexualidade e da saúde mental não é para pessoas maduras. Com a maturidade, vem junto a perda da identidade sexual: as pessoas se veem muito mais como mães e pais; avôs e avós; companheiros e parceiros do que como pessoas que podem sim ser dotadas de desejo.
Como diz Maria Alves de Toledo Bruns: “Partimos do princípio de que homem é um ser de desejo e deveres, e como tal, tem sua caminhada existencial marcada pela dinâmica das forças oriundas do princípio do prazer – foco das pulsões internas e primitivas, sede desconhecedora de limites e das forças repressivas originadas do mundo externo e criadora de limites impostos pelo princípio da realidade e dos deveres regidos pelos valores morais, éticos, sociais e midiáticos” que vão nos reprimindo e elaborando nossa vida ao longo do curso.

 Na terceira idade, muitas vezes é hora de jogar para dentro do baú muitas das forças repressoras e midiáticas e repensar que é sim uma ótima hora pra exercer a sexualidade e a sensualidade à sua maneira e a sua medida. Que ninguém já viveu o suficiente para que não seja capaz de viver ainda mais e melhor. Primeira, segunda e terceira idade, seja ela qual for, podemos ter desejo e nos sentir desejados, podemos fazer sexo e aproveitar disso a qualquer idade, sem repressão, sem preconceito.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Programa da Pri desta quarta