quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A sexualidade faz parte da educação infantil | Destrave

A sexualidade faz parte da educação infantojuvenil


reportagens / Transtornos da sexualidade

Por Alessandra Borges
Produtora Destrave

A infância é um dos períodos em que o desenvolvimento físico e mental da criança tem início. Um exemplo disso é o bebê que, após alguns meses de vida, começa a descobrir as mãozinhas e os dedinhos. Essa fase de grandes descobertas e curiosidades continua durante todo o seu processo de crescimento e aprendizado.
Dentre todos os temas fundamentais na orientação e educação dos filhos está a questão da educação sexual. Um assunto que gera ansiedade, medo, curiosidade e leva a grandes descobertas. Razão pela qual é preciso que os pais saibam a importância do diálogo sobre esse assunto na infância e adolescência de seus filhos.
A sexualidade está intimamente ligada ao prazer do corpo, por isso podemos dizer que apreciar um sorvete, relaxar após uma massagem, desfrutar de um carinho, abraçar ou beijar têm relação com esse tema. Embora para muitos ela [sexualidade] esteja apenas associada única e exclusivamente ao erotismo e à relação sexual em si.
Indiferentemente de ser menino ou menina, a sexualidade está ligada à afetividade e à construção da personalidade humana. Durante a infância, os filhos são educados pelos pais de forma abrangente, por isso é necessário que, desde cedo, a família discuta esse e outros importantes assuntos com eles.
“Usar como recurso filmes para comentar algum assunto ou presentear os filhos com livros sobre o tema são maneiras interessantes quando os pais percebem que está muito difícil se comunicar com eles [filhos] sobre isso”, exemplificou a orientadora.
A psicóloga e educadora sexual Ana Canosa orienta os pais a iniciar, ainda na infância, o diálogo sobre sexualidade com os filhos. O ideal é que a conversa seja ampla e esclareça não só as questões sobre os órgãos reprodutivos do homem e da mulher, como também os cuidados com o próprio corpo, como higiene, os limites do toque, as brincadeiras, entre outros.
“Há muitos momentos adequados para isso acontecer. Desde o momento em que os pais estão dando banho nos filhos e, estes perguntam sobre a diferença dos genitais, até quando estes começam a se automanipular na fase de tirar a fralda ou, mais adiante, quando começam a perguntar diretamente: ‘O que é de menina? Ou ‘O que é de menino?’, ‘De onde vêm os bebês?’”, disse Canosa.
De acordo com a terapeuta, o diálogo é a base de tudo, portanto, ao conversar com uma criança sobre o seu corpo e as dúvidas que vão surgindo, não fique tímido, responda de forma objetiva e com uma linguagem que ela possa entender. Lembrando-se sempre de usar frases curtas e palavras simples para as orientações, pois esta é uma maneira de sociabilizá-las em relação à sexualidade.
“Os pais precisam ensinar seus filhos sobre os limites que devem colocar aos outros durante toda a vida, para que aprendam a preservar seu prazer individual e se defender de abusos físicos ou psicológicos. Quanto menos a família permite que a sexualidade seja um assunto debatido abertamente, mais o script sexual do adolescente estará contaminado pelo medo, pela ignorância, pela culpa ou pelo descuido”, salienta a psicóloga.
Outro ponto importante, ressaltado por essa profissional, é a relevância do diálogo que os genitores devem manter com os filhos durante toda a infância e adolescência, não se restringindo apenas às questões físicas, mas também aos relacionamentos e à realidade do mundo.
Muitos pais costumam enfrentar dificuldades ao dialogar com os filhos. Isso, muitas vezes, é fruto da experiência que eles próprios tiveram ao ser educados. Muitos genitores sentem vergonha de falar sobre sexualidade com os filhos, pois, na adolescência, não tiveram essa conversa com os pais.
“Os pais têm medo de ‘sexualizar’ a criança quando trazem o assunto para dentro de casa e também têm dificuldade de se aproximar do jovem, pois este, na adolescência, tende a se fechar quando o tema é intimidade. Por essa razão, a conversa construída ao longo de toda a vida da pessoa é a melhor opção, por tirar inibições e permitir que a maneira de falar seja boa e eficaz”, destacou a psicóloga.
Oriente, eduque e mantenha sempre uma boa conversa com seus filhos, pois, hoje, eles são educados, mas, no futuro, serão eles os educadores.
Sexualidade X Mídia
Os pais educam os filhos com carinho e sabedoria, mas, muitas vezes, estes valores podem sem descaraterizados pelos meios de comunicação e pelo ambiente em que estes estão inseridos.
Os programas de TV estão, cada vez mais, enaltecendo a sexualidade ao mostrar homens e mulheres seminus. Diante desses exemplos, como os pais devem lidar com a situação e como fica a sexualidade da criança com esses modelos?
A educadora sexual explica que as crianças de hoje vivem numa outra realidade, diferente da vivida pelos pais.
"Os tempos são outros. Se a sociedade está mais erotizada, certamente isso acontece para todos. E as crianças também são afetadas por esse padrão de comportamento: da importância do corpo, da roupa, da atitude sensual”, enfatizou Ana.
A adolescência precoce traz algumas consequências de acordo com essa profissional: “O encurtamento da infância, a contradição entre um corpo que deseja e está em contato com o corpo do outro e a falta de maturidade emocional dos jovens. A maior exposição a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e à gravidez não planejada, já que os jovens são muito vulneráveis em todos os aspectos. Por outro lado, a consequência positiva é que hoje esse assunto não é mais um tabu”, citou a psicóloga.


Ana Canosa: Psicóloga.Educadora Sexual. Terapeuta Sexual. Diretora-editorada Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). Coordenadora da pós-graduação em educação sexual do Centro Universitário Salesiano (UNISAL). www.anacanosa.com.br

Reportagem acessada no site: http://destrave.cancaonova.com/a-sexualidade-faz-parte-da-educacao-infantojuvenil/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Relacionamentos amorosos, intimidade, privacidade e vulnerabilidade social

Palestra no auditódio do Henrique Castriciano - Escola Doméstica, terça-feira, às 14h50m
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Keila Oliveira
Psicóloga
Sexóloga
Terapeuta Sexual
www.sexologia-clinica.com

O Silêncio - sobre abuso sexual