quarta-feira, 11 de julho de 2012

Antidepressivos e seus efeitos na Sexualidade!

     A indústria farmacêutica tem evoluído bastante e com medicamentos cada vez mais modernos e com efeitos colaterais cada vez menos intensos. E como ela faz parte das nossas vidas em qualquer tipo de situação, seja ela uma lesão, enfermidade, doença ou transtorno, etc. Na sexualidade não é diferente: a indústria farmacêutica está estipulando seu papel, seja ele ajudando, interferindo ou prejudicando a resposta sexual humana em seus diversos âmbitos.
     Muitas pesquisas têm demonstrado os efeitos de antidepressivos na resposta sexual humana, seja ele como efeito principal ou como efeito colateral. O Viagra (sildenafil), por exemplo, foi descoberto por acaso com seu efeito colateral e posteriormente utilizado como remédio específico para disfunção erétil.
     A depressão é um transtorno de humor relativamente comum, sendo duas vezes mais frequente em mulheres. E as disfunções sexuais têm sido encontradas em pacientes com depressão, em torno de 50 a 90% dos casos, esteja esse paciente em tratamento ou não. A disfunção sexual mais comum encontrada em pacientes com depressão é a disfunção do desejo (baixa de desejo sexual), porém outras fases da resposta sexual humana podem ficar comprometidas, como na fase da excitação (ereção e lubrificação) como também na fase orgástica (quando acontece ejaculação retardada ou mesmo ausente).
     Que tipo de efeito será causado no paciente é que é o grande enigma da indústria farmacêutica, pois não tem como prever. Os efeitos colaterais podem ou não aparecer em detrimento de um medicamento ou de outro e essa resposta não pode ser estabelecida a priori.
     Pesquisas mostram que somente 50% dos homens e 75% das mulheres com depressão relatam ter tido atividade sexual no mês precedente, e que mais de 40% dos homens e 50% das mulheres apontaram diminuição do interesse sexual. 50% dos homens e mulheres relataram diminuição da excitação e aproximadamente 20% informaram ter dificuldades em obter orgasmo e ejaculação. É fato que, um paciente com depressão não apresenta boas condições para uma atividade sexual normal nem um desejo sexual ativo.
     É necessária uma avaliação muito minuciosa sobre as condições do paciente antes de se prescrever antidepressivos. Pois a maioria dos médicos não aponta a questão da sexualidade como algo importante a se observar no momento da consulta, e é claro que isso varia de paciente para paciente. Em muitos casos, a sexualidade pode estar sendo causadora ou potencializando o estado depressivo, e é nesse sentido que esse cuidado deve ser maior.
     Um sujeito que passa por dificuldades conjugais ou sexuais e ainda por cima encontra-se com depressão, deve verificar essa queixa junto ao seu médico com muito critério para minimizar os efeitos da depressão e da vida conjugal como um todo. Nesse sentido, é extremamente importante que o tratamento da depressão não se restrinja apenas ao medicamentoso, mas com terapia como coadjuvante ou protagonista do processo.
     Todos os Antidepressivos (ADs) têm efeito colateral negativo sobre a sexualidade, principalmente os de forte efeito serotoninérgico, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs), a clomipramina (ADT) e a maioria dos inibidores de mono amina oxidase (IMAOs). A serotonina funciona predominantemente como inibidora da função sexual e a dopamina como estimulante do comportamento sexual, especialmente aumentando a ereção.
     Antes de se verificar a necessidade de medicação antidepressiva, a depressão em si deve ser bastante investigada, principalmente o relacionamento do casal no dia a dia, enfim, tudo que pode estar relacionado com a sexualidade propriamente dita e qual a interferência disto na depressão, pois não apenas depressão ou antidepressivos causam baixa de desejo, mas todo um conjunto de situações funcionando sinergicamente no desenvolvimento humano.
     Para tirar dúvidas ou deixar sugestões keila_oliveira@yahoo.com.br.

Keila Oliveira
Psicóloga
Sexóloga
Terapeuta Sexual

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