segunda-feira, 4 de julho de 2011

Homofobia e o discurso da verdade!

     Na história das civilizações, tudo que é diferente ou fora da “fôrma” causa opiniões controversas das mais diversas intensidades. Nos grandes nomes da mídia, podemos citar figuras ímpares: Michael Jackson, Madona, Lady Gaga, Emy Winehouse, etc. A lista é enorme dos que causaram impacto ou deu no que falar e ainda causou seguidores ou opositores.
     Na história das civilizações sempre existiu uma classe ou grupo diferenciado e que sofreu das mais diversas formas pressões ou discriminações. Jesus Cristo foi crucificado, Joana D’Arc foi queimada viva e Tiradentes enforcado. Todos viraram heróis anos depois, mas na época, o discurso da verdade e do poder que imperava foi mais forte e conseguiu convencer por argumentos diversos e cessar com aqueles que causavam incômodo aos que detinham mais poder econômico e moral.
     Não existe uma verdade absoluta, segundo Foucault, existem discursos da verdade e em cada uma delas pondera uma linha de raciocínio ou ideologia, muitas vezes destoante umas das outras.
     Vemos hoje na mídia, discursos incessantes e ideológicos contra e a favor da homossexualidade e suas buscas por direitos iguais. Parece-me apenas mais uma briga pelo discurso da verdade. Onde de um lado, líderes religiosos pregam o discurso de que homens e mulheres devem coabitar e copular para a preservação da espécie e do outro líderes políticos e ideológicos rezam pelos direitos iguais aos cidadãos, não importa com quem eles copulem em prol de preservar ou não a espécie ou a moral desta.
     Assim como foram com os escravos - que foram oprimidos, massacrados e exilados de sua terra natal – que conseguiram liberdade à custa de muitas mortes, muito sangue e muitas chicotadas. Assim como também vem sendo com as mulheres e a irrupção do feminino, depois de tanto preconceito, discriminação e jornada dupla de trabalho. Assim como a discriminação contra os soropositivos no início dos anos 80. A discussão contra a homofobia é apenas mais um discurso da verdade que está em ascensão sobre minorias.
     Há dois séculos, os homossexuais foram considerados pela psiquiatria doentes do sexo e loucos. A minoria dos homoafetivos é a mesma minoria das mulheres e dos negros ao longo da história e todo movimento de libertação é um movimento de poder. Talvez, seja muito embrionário o pensamento de que buscar igualdade de direitos não é a única questão, mas tudo que mexe com a ideologia ortodoxa e enraizada que foi construída pela sociedade desde a Idade Média até agora.
     Precisou-se de uma lei contra a discriminação racial e determinar que é crime diferenciar negros de brancos. Precisou da lei Maria da Penha, para firmar que é crime bater em mulheres e tratá-las como se tratavam os escravos (espancando). Agora parece que precisa novamente de outra lei que diga que é crime tratar diferente os que não são diferentes (mais uma vez) porque a diferença desta vez é a condição sexual e afetiva.
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Keila Oliveira
Psicóloga
Terapeuta Sexual

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