terça-feira, 12 de maio de 2015

Adolescente sabe tudo sobre sexo!(?)



    Certa vez ouvi uma professora me indagar para quê eu iria falar sobre sexualidade com adolescentes? Se eles já sabem de tudo, sabem até mais do que nós adultos! - dizia ela, quase como que me olhando ironicamente. Tive uma breve sensação de que aquela professora me olhava pensando no tempo que eu estava prestes a perder!
     Mal sabia ela do quanto estava equivocada, despreparada e desinformada desse “saber” adolescente sobre sexo e sexualidade. Pena, que ela não é a única, assim como ela, existe muitos e muitos outros educadores, pedagogos, orientadores e pais que pensam da mesma maneira: que não precisa falar de sexo e sexualidade porque eles já sabem de tudo!
     Pesquisas feitas por Carmita Abdo revelaram duas realidades sobre esse saber adolescente. A primeira, intitulada “Correlação entre o conhecimento e a prática sexual de alunos de segundo grau em Escola Pública de São Paulo”, aborda sobre o conhecimento acerca da prática sexual de adolescentes do ensino médio (dos 15 aos 20 anos). A conclusão do estudo é de que nessa faixa etária, os adolescentes demonstram bastante conhecimento (95% de acertos sobre questões de prevenção de gravidez e DST/AIDS). Contudo, a mesma pesquisa mostra que apenas saber das informações não evita que os mesmos tenham um comportamento de risco, pois somente metade deles usa métodos preventivos.
     A segunda pesquisa, intitulada “Adolescentes de classe média do ensino fundamental: prática e conhecimento da sexualidade”, aborda sobre o conhecimento acerca da prática sexual em adolescentes do ensino fundamental (dos 10 aos 14 anos). Essa sim, mostra dados muito mais preocupantes: 73% sabem o que é AIDS, mas o conhecimento sobre outras DST era precário bem como o conhecimento sobre a maneira como preveni-las também era precário; 52% acreditavam que a pílula anticoncepcional também previne DST; 1/3 deles acreditava que o DIU além de prevenir gravidez, também evitava DST; 9% deles responderam já ter tido relação sexual e apenas 50% ter usado camisinha. A pesquisa concluiu haver ainda muitas lacunas sobre o conhecimento de métodos anticoncepcionais, ciclo menstrual, gravidez e DST/AIDS.
     Se considerarmos que as pesquisas mais recentes apontam que a média da iniciação da vida sexual do adolescente nos últimos 10 anos caiu para 14 anos nas meninas e 15 anos nos meninos. É justamente nessa faixa de transição entre o ensino fundamental e o médio que se inicia a vida sexual.
     É fato, que além da falta de informações adequadas, não podemos deixar de pontuar que é notório que nos dias atuais, apenas informações não são suficientes para que se possa deixar de ter um comportamento de risco, tanto em relação a AIDS e DST como de gravidez na adolescência. Pois se apenas informação bastasse, não haveria gravidez precoce, apenas nos casos incluídos no planejamento familiar – algo bastante raro nessa faixa etária -.
     Além de pontuar a desinformação ou má informação dos adolescentes do ensino fundamental, não posso deixar de proferir a grande necessidade de treinamento para os educadores para trabalhar com temas tão importantes. Não basta informar, tem que implicar esses adolescentes nas escolhas que eles devem tomar em suas vidas.
     Talvez, as escolas não se preocupem em investir em temas tão importantes, pois ensinar educação sexual não ajuda a passar no vestibular, mas ajuda a passar para a vida! Vida plena e saudável! Vida com um projeto e planejamento familiar!
     No Rio Grande do Norte o projeto Vale Sonhar do Instituto Kaplan, que trabalha oficinas de prevenção de gravidez na adolescência, está sendo implantado em todas as escolas públicas de nível médio. Um grande projeto que deve ser apoiado por toda sociedade civil,

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