terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Transexualidade: quando mente e corpo não se entendem!


    Artigo re-editado e publicado no Jornal Gazeta do Oeste em 09.01.2011



      A transexual brasileira mais conhecida na atualidade é Roberta Close. Antes chamado de Luiz Roberto Gambine Moreira, teve sua cirurgia de redesignação sexual no final dos anos 80 na Inglaterra, em 1992 começou os pedidos para mudança do nome, que foi autorizado apenas em 2005 para Roberta Gambine Moreira, conhecida artisticamente como Roberta Close. Hoje a mudança do nome é um direito conquistado por todos os transexuais após a cirurgia de redesignação sexual. Na época, Roberta dizia ter nascido hermafrodita, e nada mais justo para superar com menos dificuldade o preconceito, pois para a sociedade da época era "mais fácil" aceitar que um hermafrodita escolheu ser mulher, do que um homem não querer ser mais "homem" e tornar-se mulher.
     Sendo considerado um transtorno de identidade pelo DSM IV, o que caracteriza o transexual é uma diferenciação cerebral, psíquica e social, onde o sexo genital é diferente da percepção que o próprio sujeito tem de si mesmo e do sexo psíquico. Um sentimento de aversão e estranheza em relação com o corpo e o próprio sentir-se! É um verdadeiro drama na identidade, pois pode causar depressão e levar inclusive ao suicídio!
     Temas em Sexualidade são realmente cheios de dúvidas, angústias e questionamentos. A transexualidade realmente causa um sofrimento intenso, pois mente e corpo não se conectam. Transexualidade se difere bastante do travestismo. Na transexualidade o que se tem é um transtorno de identidade de gênero, ou seja, o indivíduo nasce com um sexo biológico, mas sua sensação, percepção é parecida como se tivesse nascido com o sexo biológico não compatível com sua mente, como se tivesse nascido com o sexo trocado. Muitas vezes, na transexualidade há um sentimento de revolta e repulsa com o próprio corpo, diferentemente do travesti, que via de regra se sente bem com o próprio corpo.
     O fato é que hoje os transexuais estão cada vez mais em busca da cirurgia de redesignação. No Brasil podemos citar dois grandes centros capacitados nesse tipo de cirurgia que é o Hospital das Clínicas em São Paulo e o Hospital da Faculdade de Mecidina de São José do Rio Preto - FAMERP. Podemos citar ainda o grupo Sexualidade Vida da USP/CNPq como referência no auxílio para quem busca esse tipo de tratamento!
     Há dez anos foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina a cirurgia de adequação, tanto para transexual masculino como feminino.
     Tendo em vista que é uma cirurgia definitiva, ou seja, uma vez feita a redesignação sexual não há mais volta é preciso todo um acompanhamento para que a cirurgia seja autorizada - no mínimo dois anos de acompanhamento psicoterápico e psiquiátrico - esse prazo pode estender-se por muito mais tempo, chegando há mais de 5 anos, dependendo do caso.
     O Hospital das Clínicas em São Paulo proporciona a cirurgia paga pelo SUS, contudo a fila de espera é ampla. Já na FAMERP, como se trata de um serviço particular, os procedimentos são menos burocráticos, entretanto isso não implica que a cirurgia seja feita quando o paciente quer, mas sim quando toda a equipe que acompanha o caso assim a autoriza.
     Para quem deseja mais informãções sobre Transexualidade
segue abaixo link para alguns artigos publicados pela SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana)
Site da SBRASH - www.sbrash.org.br

     Sobre este artigo, deixamos um espaço para tirar dúvidas, basta enviar e-mail para sexologianews@gmail.com

domingo, 9 de janeiro de 2011

Orgasmo feminino - Elas fingem?

  Artigo Publicado no Jornal Gazeta do Oeste em 07.01.11 com o título: "Quantas mulheres fingem ter orgasmo?"

  Pelo menos um quarto delas! Especialistas acreditam que pelo menos uma em cada três mulheres sofra de anorgasmia. Esse número, acreditem, pode chegar a 40% das mulheres.
Uma relação sexual tem 04 etapas: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Quando o indivíduo só consegue chegar à excitação - que é a fase na mulher onde há lubrificação e no homem a ereção - e não consegue chegar ao orgasmo e a resolução, a isso se denomina como disfunção sexual, ou pra ser mais clara, ANORGASMIA. No homem o problema é menos comum.
     Grande parte dessas mulheres consegue ter orgasmo apenas por estimulação clitoriana, mas não consegue chegar ao orgasmo na relação com penetração. Dito isto, chegamos a conclusão de que elas mentem mesmo, a não ser que o homem seja muito sensível e perspicaz para perceber que o dito "orgasmo" é história pra boi dormir!. Essa disfunção, tão comum, talvez a mais comum de todas as disfunções nas mulheres dá-se em detrimento de muitos fatores - a maioria psicológicos -. Vivemos numa sociedade que embora, diga-se de passagem, já muito moderna, ainda carrega em seu arcabouço muito da cultura machista e paternalista. As mulheres ainda carregam muito o peso dos cuidados e do ser "recatado". Ainda existe bem claro o que homens e mulheres podem ou não podem fazer, infelizmente digamos que as mulheres ainda podem muito pouco.
     A sensação mais comum que se tem é de que "há algo errado comigo!" Será que eu não vou conseguir nunca? O parceiro reclama e há sentimento de impotência feminina e masculina generalizados.
     Mulheres que nunca sentiram orgasmo: grande parte desse problema é oriundo de uma falta de conhecimento com o próprio corpo! Muitas mulheres sente receio em se tocar, se conhecer, se acariciar e principalmente em se masturbar. 85% das mulheres que não conseguem ter orgasmo no coito, podem chegar a conseguir ter orgasmo por estimulação clitoriana, ou com sexo oral. Isso se deve a muitos fatores. Não faz muito tempo, o sexo era tido prioritariamente como instrumento de reprodução, a mulher projetava seu futuro em torno dos filhos e do marido. Inclusive o sexo para o casal idoso era altamente protestado, tendo em vista que uma vez que já não podiam ter filhos não necessitavam mais fazer sexo, e uma vez o fazendo eram tidos como pervertidos. A masturbação era considerada como um meio de perder a fertilidade, pois ao perder o sêmen o homem ia perdendo a capacidade de reproduzir. Na década de 50 descobriu-se que muitas mulheres também se masturbavam. Era considerada pecado mortal pela igreja católica até 1992, quando o papa decretou ser um pecado menor. Mesmo assim, ainda há muitos mitos e tabus em cima da masturbação!
     Para a sexologia, a masturbação é considerada uma prática saudável e fundamental para um bom conhecimento do próprio corpo, é através dela que muitas mulheres com anorgasmia conseguem ter o primeiro orgasmo, inclusive quando são estimuladas pelo parceiro. O sexo no coito, ou seja, com penetração vaginal ainda é visto por muitas pessoas como sendo a "maneira correta" de se conseguir o orgasmo, contudo isso não passa de mito obtido por muitos casais.
Algumas mulheres demoram de 02 a 04 anos depois de terem a primeira relação até conseguirem chegar ao orgasmo, algumas conseguem primeiramente ter o orgasmo clitoriano. Muitas mulheres conseguem ter orgasmo com a prática do sexo oral.
     Muitos homens gostariam de ter suas parceiras sentindo orgasmo na penetração, mas é preciso ter em mente que muitas mulheres podem não conseguir esse feito ou ter dificuldades até chegar lá A terapia sexual detém técnicas que ajudam o casal ou a mulher a deixar de ter esse tipo de disfunção!
     Sobre este artigo, deixamos um espaço para tirar dúvidas, basta enviar e-mail para sexologianews@gmail.com