08 de Agosto - TRANSpondo o Preconceito - UFRN

Muito importante debater sobre temas tão densos e tão importantes.
A IFMSA Brazil mais uma vez de parabéns por lançar iniciativas de estudos de gênero e cidadania.


Ponto G - Site Dicas de Mulher

Aproveitem a nova matéria sobre o tema que saiu agora e conta com minha colaboração.
Espero que gostem.

Ponto G existe? Sexóloga dá dicas de movimentos e posições para aproveitá-lo

Acredita-se que ele esteja na região próxima da inervação do clitóris e, por isso, seja responsável pelo orgasmo feminino


Veja ela completa no Link - http://www.dicasdemulher.com.br/ponto-g/



Poliamor e as novas formas de não estigmatizar/nomenclaturizar

Feliz Ano Novo a todos!

Começo o ano na tentativa de abordar um tema polêmico. Na verdade, creio ser difícil abranger qualquer tema na ordem da sexualidade sem um "Q" de Polêmica. Sexualidade é um tema sempre difícil, denso e que nos dias atuais cada dia mais surgem nomenclaturas, termos, siglas e tudo que se tenta para encontrar nuances que se enquadrem, diagnostiquem, classifiquem.
Muitas pessoas preferem a não classificação e apontar que o que vale nessa vida é ser feliz.
Tempos atrás a transexualidade estava enquadrada como um transtorno dentro das psicoses. Hoje a prática clínica nos impede desse tipo de diagnóstico, tendo em vista que muitos neuróticos se veêm como transexuais.
As diversidades sexuais são muito mais diversas e numa gama muito maior da que encontramos nos manuais diagnósticos e cada sujeito é único no mundo, independente sobre qual orientação ou sobre qual objeto o seu desejo se orienta.
Em meados de 2015 o site da Uol - Mulher lançou um artigo intitulado  "Conheça homens que transam com homens, mas não se consideram gays". Segue link

Gostaria de abrir diálogos acerca do tema. É um tema denso, complicado, mas cada um guarda dentro de sí um sentimento e um segredo, pois não é a todos que conseguimos falar abertamente sobre o tema. Antropólogos, sociólogos, psicanalistas e pesquisadores apontam o tempo inteiro novas maneiras de pensar e se apontar ao mundo.
O espaço está aberto para comentários, argumentos, desabafos e tudo que possa contribuir para uma construção das novas formas de amor.
Comentários homofóbicos e preconceituosos não serão postados. Este espaço é de construção e não desconstrução, é para contribuir e não denegrir. O mundo já é segregado demais.

Feliz 2016 a todos



Segue abaixo texto da Uol-Mulher do Yannik D'Elboux

  • Conheça homens que transam com homens, mas não se consideram gays
  • Para alguns homens, o desejo por outro homem não muda a orientação sexual
O arco-íris da sexualidade humana tem muito mais do que sete cores. Entre a heterossexualidade e a homossexualidade, existem tantas nuances quanto desejos. No meio desse caminho, estão os HSH (homens que fazem sexo com homens). São homens que gostam de transar com outros, porém não se consideram gays.

"Nunca consegui me imaginar de mãos dadas ou trocando carinhos. Sexo com homem é grosseiro, por isso é só sexo", diz Antônio* (nome fictício), 40, corretor de seguros, que se identifica como hétero. Pai de um menino de cinco anos, ele já foi casado e namora apenas mulheres. "Nunca conseguiria me relacionar afetivamente com um homem, tenho 101% de certeza, curto apenas a putaria na cama", fala, negando qualquer hipótese de que poderia ser um homossexual enrustido.

A ideia de negação da verdadeira orientação sexual sempre surge quando alguém coloca em prática uma fantasia que não corresponde à sexualidade assumida. Porém, para o sociólogo Felipe Padilha, membro do grupo Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), não há essa relação. "O contato erótico entre homens não leva necessariamente a uma identidade."

Para Flávio* (nome fictício), 25, analista de sistemas, tanto a homossexualidade quanto a bissexualidade estão mais ligadas aos sentimentos por alguém do mesmo sexo. Por essa razão, ele se considera hétero, apesar de transar com homens desde os 15 anos. Flávio tem prazer em ser penetrado, mas, assim como Antônio, não se imagina namorando outro homem. "Meu desejo é apenas para sexo. É só tesão, talvez uma fantasia ou um prazer que a mulher não pode me dar."

Prazer escondido

Nem todos os HSH desfrutam do sexo anal. "Não gosto de ser penetrado, apesar de já ter sido, fico desconfortável, mas curto uma lambida, o que é mais fácil ter entre homens", conta Márcio* (nome fictício), 27, professor de história, que fez sexo com um amigo pela primeira vez há três anos por curiosidade.

Márcio tem uma parceira sexual há quase dois anos e prefere fugir dos rótulos. "Poderia dizer que sou bissexual, mas acho tais nomenclaturas desinteressantes. Minha orientação sexual é a de permitir entrar em contato e experimentar o mundo como aventura."

Muitas vezes, as relações sexuais entre os HSH são mantidas em segredo por causa do preconceito em relação a esse tipo de comportamento. "Diferentemente dos homens, que adoram quando duas mulheres ficam, muitas mulheres não ficariam com um homem que já transou com outro. Acham que o cara é gay e não serve para elas", afirma Flávio, que prefere não contar sobre esse aspecto da sua vida para as namoradas até sentir abertura para isso.

Márcio fala que já revelou para algumas parceiras que sente atração por homens e até participou de uma transa a três com uma namorada. Apesar dos preconceitos, tabus e do machismo, o professor diz acreditar que cada vez mais pessoas estão dispostas a viver os relacionamentos e a sexualidade de outras formas, além dos modelos tradicionais. "Hoje em dia é mais fácil encontrar quem lide bem com essas questões, ainda mais em grupos de poliamor."

Antônio diz que, quando começou a ter experiências com outros homens, chegou a se questionar se era gay. Contudo, percebeu que seu desejo não estava relacionado à sua orientação. Hoje, ele não se preocupa tanto com julgamentos morais. "Sou muito homem no dia a dia, mas se quiser sentir outro pau serei bicha por minutos, horas e depois minha vida volta ao normal, o que importa é o meu prazer."




Ejaculação Rápida

Anteriormente conhecida como ejaculação precoce, essa disfunção é a mais comum entre as disfunções sexuais masculinas, segundo pesquisa feita por Oswaldo Rodrigues em 1991 com estudantes universitários entre 18 e 42 anos, 45% deles responderam impossibilidade de controlar a ejaculação; 83% deles responderam não controlar a ejaculação e ainda, a maioria, 91% tinham com estratégia "compensar" com a segunda ejaculação
Ejaculação rápida pode ser caracterizada como primária e secundária. Primária quando ela sempre existiu na vida sexual do homem, secundária quando ela surgiu após alguns anos de atividade sexual.
Muitos homens demoram anos até procurar ajuda, principalmente se eles não tem uma parceria fixa. Em casos extremos, o homem inclusive evita contato íntimo com uma parceira por mais de uma ou duas vezes, pois o sofrimento e a dor vivenciados acabam por causar um certo afastamento sexual íntimo e duradouro.   
Embora seja uma disfunção muito comum entre os homens, ela causa muito sofrimento, pois mexe com a masculinidade e a virilidade.
Ejaculação precoce tem bom prognóstico, existe tratamento, proporciona uma melhora significativa e em alguns casos, quando o paciente é determinado ela tem sua remissão total. O índice de sucesso é muito significativo, no entanto muitas pessoas desistem em detrimento de vários fatores, inclusive da própria ansiedade na qual vivemos na qual todo mundo quer resultados rápidos e medicamentosos... Mexer com questões psicológicas na maioria das vezes requer determinação e paciência, mas os frutos em geral são muito bons... 
Segundo ainda Oswaldo Rodrigues, o tempo médio para procurar tratamento para quem tem ejaculação rápida primária é de 17 anos, e para quem tem ejaculação rápida secundária é de 4 anos.
Para a sexologia, o diagnóstico não se dá em relação ao tempo, mas na capacidade que o homem tem de conseguir ou não o controle ejaculatório, o que não é uma atividade muito fácil, principalmente para adolescentes. Na nossa cultura, estabeleceu-se uma relação direta entre ‘orgasmo x ejaculação’ Em alguns casos, a ejaculação não está associada ao orgasmo, muitos homens não conseguem ter o senso dessas duas coisas distintas, contudo, em alguns casos a ejaculação precoce não vem seguida do orgasmo
Ansiedade, inexperiência, estresse diário, superestimulação, dentre outros são os fatores mais comuns que predispõe a ejaculação rápida.

Vaginismo / Dispareunia

Ser mulher embora pareça, não é uma tarefa fácil. As dificuldades do dia a dia, as relações com os parceiros e os papéis sociais muitas vezes são difíceis de conciliar. Embora muitas vezes pareça fácil, as relações paternas e maternas podem causar consequências para o cotidiano de formas variadas e inúmeras vezes não sem consequências para os conflitos diários nos quais muitas mulheres se deparam.
Ter uma vida sexual saudável, embora possa parecer "fichinha", muitas vezes pode se tornar algo de uma complexidade inigualável quando as coisas não caminham como manda o figurino. Algumas disfunções femininas embora de ordem pouco frequente podem causar estranheza em alguns casais como a Dispareunia e o vaginismo.
Dispareunia é caracterizado como dor durante a relação sexual. Uma das causas dessa dor pode advir de infecção por fungos ou bactérias na região genital, ou ainda por alguma má formação congênita.
A dispareunia, dentre outras coisas pode causar ainda o aparecimento de uma disfunção mais grave com o Vaginismo – que é quando a musculatura da vagina se contrai involuntariamente impedindo a penetração durante a relação sexual.
Em alguns casos, a mulher consegue ter prazer e até mesmo chegar ao orgasmo com outras formas de estimulação clitoriana, outras mulheres podem sentir tanto medo e receio que sequer conseguem se sentir bem durante a relação, causando uma aversão sexual.
O vaginismo pode ser primário – que é quando a mulher permanece virgem sem nunca ter conseguido deixar ser penetrada – secundário, é quando a mulher já conseguiu ter uma relação sexual com penetração, mas no entanto, hoje já não consegue mais, em alguns casos o vaginismo e a dispareunia se dá após algum evento traumático como uma violência, abuso sexual ou até mesmo um estupro!
Ter uma parceria que não estimula o namoro e as preliminares ou jogos sexuais antes da relação propriamente dita dificulta na resolução do problema.
Estima-se que 5% das mulheres sofram desse mal em algum período de suas vidas, principalmente quando se trata da primeira relação!
O vaginismo em um grau elevado dificilmente se resolve sem ajuda terapêutica. Terapias alternativas podem ser coadjuvantes no processo como fisioterapia pélvica e acupuntura.
É importante as mulheres não relegarem ou negligenciarem sua vida sexual à outras atividades.

Disfunção Erétil


     Antigamente conhecida como Impotência Sexual. O nome já caiu em desuso, hoje se chama disfunção erétil. O nome impotência não é mais utilizado porque causava muito estigma: “impotente”. O uso do vocábulo “disfunção erétil” remete a um estado temporário e não a um problema permanente. A disfunção pode ter três origens: fisiológica, psicológica ou mista, que é a união das duas anteriores. Estima-se que 25% dos homens sofram com o problema em algum momento da vida. Esse índice aumenta para 46% em homens acima dos 60 anos.
     As causas podem ser diversas, desde insegurança, estresse e problemas financeiros até problemas mais sérios causados pelo tabagismo ou câncer.
     Em geral, a saúde do homem é deixada um pouco de lado quando se compara com os cuidados femininos com a saúde. Os homens sentem mais vergonha em procurar ajuda médica e se preocupam menos logo quando aparecem os primeiros sintomas. Estima-se que os homens demorem pelo menos 07 anos para procurar ajuda médica e especializada, nos casos de problemas relacionados à sexualidade, alguns chegam a sofrer ainda mais demorando mais do que 17 anos para procurar um profissional especializado.
     Não podemos esquecer aquele grande “mito” e “temor” que os homens começam a sentir quando chegam perto dos quarenta anos, que é a idade limite para se procurar um urologista e fazer revisões periódicas da próstata. Um medo exacerbado e sem muito fundamento, pois se trata nada mais, nada menos do que um exame necessário à saúde do aparelho reprodutor masculino. Se formos pensar logicamente: melhor fazer um exame incômodo do que comprometer a saúde de seu grande amigo “falo”!
     A disfunção erétil pode ser situacional ou generalizada, ou seja, ela pode acontecer só em determinadas situações ou com determinadas pessoas, ou generalizada, que é quando ela ocorre em toda e qualquer situação, independente da pessoa. Às vezes o homem consegue ter a ereção, contudo na hora da penetração ele perde a ereção, ou quando coloca o preservativo.   Em adolescentes é mais comum quando coloca o preservativo em detrimento da inexperiência ou falta de controle do próprio corpo.
     É importante verificar os hábitos e a qualidade de vida de quem se apresenta com essa disfunção, pois cigarro, bebidas e drogas influenciam muito na qualidade da relação sexual. Um grande vilão da sexualidade masculina é o cigarro, o uso prolongado e exacerbado ao longo da vida pode causar disfunção erétil irreversível.
     Muitos homens começam a apresentar o problema depois de um grande período de estresse ou depois de uma situação bastante incômoda, seja no ambiente de trabalho ou em casa, contudo o mais comum é que sejam problemas no ambiente laboral.
     É preciso levar em consideração, que problemas dessa ordem, geralmente não são compartilhados com suas companheiras, o que muitas vezes é um equívoco, pois ao contrário do que a maioria dos homens pensa, falar para sua companheira sobre a origem do problema só traz mais cumplicidade como também facilita a resolução do problema. Ao contrário, quando se omite casos como este, corre o risco de que o relacionamento a dois entre em crise, pois a fantasia de traição e de que o companheiro não sente mais desejo acaba tomando conta da situação.
     Um homem saudável pode ter relações sexuais até o fim de sua vida e inclusive pode ter filhos, diferentemente da mulher que em detrimento da menopausa perde a capacidade reprodutiva. Para que isso ocorra, uma vida com hábitos saudáveis, sem consumo exacerbado de álcool e cigarros, bem como um acompanhamento periódico ao urologista, principalmente após os 40 anos é de fundamental importância para que o homem possa ter uma vida sexualmente ativa até o fim de seus dias.
     Fazer uma avaliação da disfunção erétil com urologista e descartar as causas orgânicas, é um dos critérios para se iniciar um tratamento com terapeuta sexual, na grande maioria dos casos podemos perceber bons resultados quando o paciente é envolvido no processo.
     Permita uma vida sexual saudável, procure ajuda especializada logo quando surgir os primeiros sintomas.
     Sobre este artigo, deixamos um espaço para tirar dúvidas, basta enviar e-mail para sexologianews@gmail.com.br

TV Assembleia - Contraceptivos e Gravidez na Adolescência



Nesta quinta-feira, 09.07.2015, às 20:15, o programa da TV Assembléia conta com uma matéria sobre Métodos Contraceptivos e Gravidez na Adolescência.
Confiram


Homem DVD!

     Acho que uma das coisas que deixam as mulheres mais irritadas é acabar de fazer amor e ver seu amado virar para o lado e dormir! O famoso Homem que Deita, Vira e Dorme! Que mulher não ficaria com raiva? Creio que é quase unanimidade! Mas por que isso acontece?
     Primeiro vamos tentar entender um pouco as diferenças entre homens e mulheres. Nosso corpo produz vários hormônios, cada um responsável para estimular a produção de determinada coisa. O hormônio responsável pela excitação, por exemplo, é a testosterona, muito presente no homem, e na mulher em uma quantidade menor.
     No homem, a testosterona é produzida em alta quantidade todos os dias, em determinados horários a produção se torna mais intensa. É muito comum, em alguns homens, que o nível de testosterona tenha seu ápice do fim da madrugada para o início da manhã. O que explica muitos homens acordarem com seu membro já bem desperto e doido para brincar!
     Na mulher, além da testosterona que é em quantidade menor, tem a progesterona e o estrógeno, que atuam mais na reprodução do que na relação em si. A progesterona, inclusive, ajuda a diminuir a libido, e o estrógeno tem seu papel importante na fase de excitação, ajudando a mulher a se lubrificar e permitir a relação, mas não atua no desejo propriamente dito! Além do que, não podemos esquecer que esses hormônios “brigam” por espaço, e cada um deles tem seus picos alternados no ciclo menstrual de 28 dias. É quase uma maratona hormonal e ainda estranham porque a mulher alterna tanto de humor? Sem contar cólica, dores nas pernas e de cabeça quando a menstruação vem!
     Homem é mais hormonal, até porque ele tem só a testosterona pra se preocupar! Mulher é mais sensitiva, é mais emocional. Seu cérebro é diferente e possui muito mais conexões do que o dos homens, e isso faz delas biologicamente mais perceptiva do que os homens.
     Certa vez uma amiga me falou a seguinte frase “Para se fazer amor com uma mulher à noite, o homem precisa começar a preparar a cama logo pela manhã!”, porque se ele a aborrecer durante o dia, quando chega à noite nada feito! É a mais pura verdade, com algumas exceções, a maioria das mulheres necessita se sentir desejada, acariciada, e sem preliminares a coisa fica ainda mais difícil!
     Voltando ao DVD, só para que os homens não se sintam ofendidos! A questão é mesmo hormonal! Desculpe-me as mulheres, mas é mais forte do que eles. Vamos entender: depois do orgasmo, outro hormônio entra em ação, a testosterona baixa, e entra no jogo a prolactina – que na mulher também é responsável pela produção de leite quando ela amamenta -. A prolactina produz a baixa de desejo, e isso faz com que depois de terminada a relação, ambos não queiram repetir a dose. Só que a prolactina causa sonolência, por isso ele deita, vira e dorme mesmo!
     É claro, que os efeitos dos hormônios no nosso corpo variam de pessoa para pessoa, dessa maneira, algumas pessoas podem não sofrer o efeito da baixa de desejo causado pela prolactina, e logo em seguida queiram repetir a dose! Nos homens, o efeito da sonolência pode ser maior ou menor, o que quer dizer que uns demorarão mais ou menos para deitar, virar e dormir, enquanto sua parceira, poderá ainda sentir vontade de continuar na brincadeira!
   


Adolescente sabe tudo sobre sexo!(?)



    Certa vez ouvi uma professora me indagar para quê eu iria falar sobre sexualidade com adolescentes? Se eles já sabem de tudo, sabem até mais do que nós adultos! - dizia ela, quase como que me olhando ironicamente. Tive uma breve sensação de que aquela professora me olhava pensando no tempo que eu estava prestes a perder!
     Mal sabia ela do quanto estava equivocada, despreparada e desinformada desse “saber” adolescente sobre sexo e sexualidade. Pena, que ela não é a única, assim como ela, existe muitos e muitos outros educadores, pedagogos, orientadores e pais que pensam da mesma maneira: que não precisa falar de sexo e sexualidade porque eles já sabem de tudo!
     Pesquisas feitas por Carmita Abdo revelaram duas realidades sobre esse saber adolescente. A primeira, intitulada “Correlação entre o conhecimento e a prática sexual de alunos de segundo grau em Escola Pública de São Paulo”, aborda sobre o conhecimento acerca da prática sexual de adolescentes do ensino médio (dos 15 aos 20 anos). A conclusão do estudo é de que nessa faixa etária, os adolescentes demonstram bastante conhecimento (95% de acertos sobre questões de prevenção de gravidez e DST/AIDS). Contudo, a mesma pesquisa mostra que apenas saber das informações não evita que os mesmos tenham um comportamento de risco, pois somente metade deles usa métodos preventivos.
     A segunda pesquisa, intitulada “Adolescentes de classe média do ensino fundamental: prática e conhecimento da sexualidade”, aborda sobre o conhecimento acerca da prática sexual em adolescentes do ensino fundamental (dos 10 aos 14 anos). Essa sim, mostra dados muito mais preocupantes: 73% sabem o que é AIDS, mas o conhecimento sobre outras DST era precário bem como o conhecimento sobre a maneira como preveni-las também era precário; 52% acreditavam que a pílula anticoncepcional também previne DST; 1/3 deles acreditava que o DIU além de prevenir gravidez, também evitava DST; 9% deles responderam já ter tido relação sexual e apenas 50% ter usado camisinha. A pesquisa concluiu haver ainda muitas lacunas sobre o conhecimento de métodos anticoncepcionais, ciclo menstrual, gravidez e DST/AIDS.
     Se considerarmos que as pesquisas mais recentes apontam que a média da iniciação da vida sexual do adolescente nos últimos 10 anos caiu para 14 anos nas meninas e 15 anos nos meninos. É justamente nessa faixa de transição entre o ensino fundamental e o médio que se inicia a vida sexual.
     É fato, que além da falta de informações adequadas, não podemos deixar de pontuar que é notório que nos dias atuais, apenas informações não são suficientes para que se possa deixar de ter um comportamento de risco, tanto em relação a AIDS e DST como de gravidez na adolescência. Pois se apenas informação bastasse, não haveria gravidez precoce, apenas nos casos incluídos no planejamento familiar – algo bastante raro nessa faixa etária -.
     Além de pontuar a desinformação ou má informação dos adolescentes do ensino fundamental, não posso deixar de proferir a grande necessidade de treinamento para os educadores para trabalhar com temas tão importantes. Não basta informar, tem que implicar esses adolescentes nas escolhas que eles devem tomar em suas vidas.
     Talvez, as escolas não se preocupem em investir em temas tão importantes, pois ensinar educação sexual não ajuda a passar no vestibular, mas ajuda a passar para a vida! Vida plena e saudável! Vida com um projeto e planejamento familiar!
     No Rio Grande do Norte o projeto Vale Sonhar do Instituto Kaplan, que trabalha oficinas de prevenção de gravidez na adolescência, está sendo implantado em todas as escolas públicas de nível médio. Um grande projeto que deve ser apoiado por toda sociedade civil,

Sexo depois dos 60

Ainda temos uma cultura muito arraigada de que o namoro e o sexo não são atividades apropriadas para pessoas da terceira idade, o que ainda é algo extremamente preconceituoso e baseado em mitos. Muitos casais acima dos sessenta anos mantêm a relação sexual de forma saudável, salvo em casos onde o estado físico de um ou de ambos os cônjuges impeçam que a relação aconteça.
Um estudo realizado com mais de 3.000 norte americanos, dos 57 aos 85 anos, sobre o comportamento sexual do idoso foi publicado no The New England Journal of Medicine e relata alguns resultados impressionantes. Essa pesquisa caracteriza-se como o maior estudo já realizado sobre o assunto nos Estados Unidos:
- Verificou-se que a maioria dos americanos continua sexualmente ativa aos 60 anos e quase metade continua a ter sexo regularmente depois dos 70.
- Os problemas sexuais mais presentes foram a diminuição de desejo sexual, na mulher, e dificuldades de ereção, no homem.
- Constatou-se que, por diversas razões, as mulheres eram significativamente menos sexualmente ativas que os homens depois dos 57 anos.
- Comparativamente com os homens de idades semelhantes, surgiram mais mulheres sem parceiro e com menos prazer sexual.
- Cerca de 84% dos homens, entre os 57 e os 64 anos, relataram ter tido algum tipo de contacto sexual com outra pessoa, no ano anterior, em comparação com 62% das mulheres na mesma faixa etária. Estes números diminuíram para 38 por cento e 17 por cento, respectivamente, em pessoas de com mais de 75 anos.
- Dos entrevistados com vida sexual ativa, cerca de dois terços referiu ter relações sexuais pelo menos duas vezes por mês aos 70 anos, e mais da metade continuou nesse ritmo aos 80 anos.
- Quase metade das pessoas, sexualmente ativas, relatou pelo menos um problema sexual. Cerca de 43% das mulheres referiu sentir uma diminuição do desejo e 39% com falta de lubrificação vaginal. Nos homens as dificuldades de ereção são as mais presentes com cerca de 37% dos casos. No entanto, apenas cerca de um terço dos homens e um quinto das mulheres, com mais de 50 anos, disse ter falado com o seu médico sobre as suas dificuldades sexuais.
Segundo Robert Butler, presidente do International Longevity Center, em Nova York, “Existe a idéia generalizada de que o sexo, de alguma forma, não ocorre nos últimos anos, e este estudo demonstra claramente que a atividade sexual, na realidade, não diminui assim tanto”.
Os estudos realizados ainda são poucos, contudo mostram um pouco da sexualidade na terceira idade. Sexo faz bem em qualquer idade, desde que seja feito com respeito, carinho e responsabilidade.